Deputado do PSD João Lourenço exigiu na Assembleia Municipal uma data para a obra. Nuno Fonseca aponta custo de quatro milhões de euros e falta de financiamento comunitário para avançar com a intervenção.
A requalificação das Piscinas Municipais de Felgueiras foi um dos principais temas de debate na última reunião da Assembleia Municipal, realizada na passada sexta-feira, dia 25 de setembro. O deputado do PSD João Lourenço exigiu uma data para a obra, cujo projeto foi apresentado em 2018 e continua por concretizar. O presidente da Câmara, Nuno Fonseca, justifica o atraso com a falta de financiamento comunitário para uma intervenção que ronda os quatro milhões de euros.
“Oito anos depois de se apresentar uma requalificação, já não basta voltar a anunciar intenções”, afirmou o social-democrata. Recordou que o projeto foi apresentado a 13 de novembro de 2018, na cerimónia que assinalou os 25 anos do equipamento, e perguntou ao autarca “o que aconteceu a este projeto”.
João Lourenço lembrou que já tinha levantado o problema em 2023, quando as piscinas completaram 30 anos. Nessa altura, escreveu num jornal sobre problemas na cobertura, a ferrugem, as condições de temperatura no inverno, o encerramento frequente do campo de squash e o equipamento obsoleto do ginásio. “Passaram, entretanto, mais três anos”, sublinhou.
Inaugurada em 1993, a Piscina Municipal de Felgueiras é a sede do FOCA, clube que tem somado resultados e prestígio para o concelho. Esse sucesso trouxe mais atletas, sobretudo jovens, e o espaço já não chega para todos treinarem nas várias modalidades.
“Temos atletas de excelência, temos treinadores de excelência, temos um clube que continua a produzir resultados de excelência”, disse o deputado. Acrescentou que é preciso saber se o concelho tem “as instalações à altura dessa mesma excelência” e “responsáveis políticos à altura dessa excelência”.
Lourenço lembrou ainda que o equipamento não serve só o desporto federado. É usado por crianças que aprendem a nadar, por adultos e seniores, nas aulas de hidroginástica, e por “centenas e centenas de utentes”.
O deputado quis saber se o projeto de 2018 “continua a existir”, se “foi abandonado” ou “foi alterado”, e se há “uma previsão concreta para uma intervenção profunda nas piscinas municipais”. Deixou também um aviso ao presidente: o autarca pode “um dia ser chamado a responder pelo estado a que condenou as piscinas municipais”, ressalvando que espera estar enganado. “Oito anos depois, senhor presidente, já teve suficiente tempo de prometer: está na altura de fazer”, rematou.
Na resposta, Nuno Fonseca disse que, na apresentação do projeto, sempre avisou que os montantes eram “bastante elevados”, em parte “pelo estado de degradação que deixaram chegar durante oito anos em que nada fizeram numa piscina municipal”. Por isso, explicou, a obra teria de ser submetida “numa candidatura de requalificação”.
Segundo o autarca, os apoios hoje disponíveis para requalificar equipamentos desportivos têm um teto de 500 mil euros. A intervenção, a preços atuais, custará “muito perto dos quatro milhões de euros”. Nuno Fonseca disse que a Câmara estaria disposta a juntar a esse apoio verbas das linhas do Banco Europeu de Investimento, e que “isso para nós não teria qualquer problema”. “O problema que existe é que não há essa possibilidade”, sublinhou.
“Nós não deixamos de ter bem presente aquilo que são as necessidades de intervenções nas piscinas”, garantiu. Deu como exemplo a obra feita na piscina da Lixa, avançada “porque o montante era bem menor”.
O presidente usou também números para descrever piscinas que, disse, “estavam praticamente paradas em 2017”. Nesse ano, a de Felgueiras tinha 600 utentes, a da Lixa 240 e a de Idães 110, perto de 950 no total. Em setembro de 2026, Felgueiras conta 1580 utentes, a Lixa 960 e Idães 775, o que mais do que triplica o total.
“As necessidades hoje são bem maiores do que aquelas que existiam em 2018 para fazer face a esses utentes”, concluiu o autarca.