Importações alemãs de calçado português subiram 2,6% no primeiro semestre, enquanto Itália e Espanha registaram quebras superiores a 14%, segundo a HDS/L.
O mercado de calçado na Alemanha manteve-se moderado no primeiro semestre de 2026, com as vendas mais fracas no mercado interno e a quebra de emprego a continuarem a pressionar os fabricantes, segundo dados divulgados pela Federal Association of the German Footwear and Leather Goods Industry (HDS/L). Entre janeiro e junho, as vendas dos fabricantes alemães de calçado caíram 2,4% em termos homólogos, totalizando 1,14 mil milhões de euros.
As vendas no mercado interno recuaram 2,8%, para 903 milhões de euros, enquanto as vendas externas se mostraram mais resistentes, com uma queda de apenas 0,8%, para cerca de 242 milhões de euros. O emprego também diminuiu: entre as empresas de calçado com 50 ou mais trabalhadores, o número de postos de trabalho caiu 3%, para 8.943, face a mais de 9.200 no mesmo período de 2025. A HDS/L estima que cerca de 15.500 pessoas trabalham na indústria de calçado alemã, incluindo pequenas empresas. As pressões sobre os preços também persistiram, com os preços de produtor a subirem 1,5% e os preços no consumidor a aumentarem 1,2%, em termos homólogos, no primeiro semestre.
Entre janeiro e junho, a Alemanha exportou 191,2 milhões de pares de calçado, no valor de 5,3 mil milhões de euros, uma quebra de 0,4% em volume e de 0,7% em valor face ao mesmo período do ano anterior. O calçado com gáspea de pele registou uma quebra particularmente acentuada, com as exportações a caírem 8%, para 54,1 milhões de pares. A Polónia manteve-se como o principal destino das exportações alemãs de calçado, com os volumes a subirem 7,4%, para 42,5 milhões de pares, mas as exportações para vários mercados importantes da União Europeia, incluindo França, Itália e Espanha, diminuíram. Em contraciclo, as exportações alemãs de calçado para os Estados Unidos aumentaram 22,6%, para 11,9 milhões de pares, no primeiro semestre.
As importações caíram de forma mais acentuada. No primeiro semestre do ano, a Alemanha importou 366 milhões de pares, menos 6,8% do que no mesmo período do ano anterior, com o valor das importações a cair 9,8%, para 6,1 mil milhões de euros. A quebra estendeu-se ao calçado com gáspea de pele, plástico e têxteis. Ainda assim, a China manteve-se como o principal fornecedor de calçado da Alemanha neste período, representando 42,4% dos pares importados. As importações da China caíram 3,5%, para 155,2 milhões de pares, enquanto as do Vietname recuaram 13% e as da Indonésia 7,1%. Em contrapartida, as importações da Índia aumentaram 12,8%, e as de Myanmar subiram 7,9%.
Entre os fornecedores europeus, Portugal contrariou a tendência de queda. As importações alemãs de calçado português aumentaram 2,6%, para 7,7 milhões de pares, enquanto as importações provenientes de Itália caíram 17,5% e as de Espanha recuaram 14,4%.
Segundo a HDS/L, as condições deverão manter-se difíceis nos próximos meses. “O consumo moderado, as estruturas de custos elevados, as tensões geopolíticas e os conflitos comerciais em curso continuam a pesar sobre os fabricantes e as marcas”, afirma a associação. As empresas enfrentam ainda “exigências regulatórias crescentes e uma pressão cada vez maior para manter os seus produtos competitivos num mercado internacional”.
A regulação é outra preocupação identificada pela associação. A implementação, na Alemanha, da revisão da Diretiva-Quadro dos Resíduos da União Europeia deverá introduzir um regime de responsabilidade alargada do produtor para os setores têxtil e do calçado, o que trará obrigações financeiras e organizacionais adicionais aos fabricantes e marcas relativamente à recolha e gestão de produtos usados. A organização sublinha que a indústria apoia uma maior circularidade, mas apela a uma implementação harmonizada, com o mínimo de burocracia adicional.