“Os felgueirenses são trabalhadores empenhados e focados”

O Felgueiras Magazine entrevistou Lasse Jespersen, um dinamarquês que abriu uma empresa em Felgueiras no setor do calçado. Fomos descobrir porquê!
Lasse Jespersen

Lasse Jespersen é dinamarquês e vive em Copenhaga. Tem 39 anos e, em 2017, fundou a LAST STUDIO em Felgueiras, uma empresa do setor do calçado. Vem a Portugal 8 a 10 vezes por ano. Conta com mais de 15 anos de experiência em diferentes níveis de desenvolvimento de produtos. Gosta de passar tempo com a família, exposições de arte e ler. Como desporto, costuma correr três vezes por semana.

Felgueiras Magazine (FM) – O que é a LAST STUDIO?

Lasse Jespersen (LJ) – A Last Studio é uma empresa de trading portuguesa, especializada no desenvolvimento de calçado para homens e mulheres, com ênfase na qualidade. Empenhamo-nos para oferecer aos nossos clientes o melhor produto, com a melhor qualidade para atender às suas necessidades. Entendemos que a qualidade é a principal prioridade para nossos clientes e isso define o padrão para nossa empresa. Trabalhamos com vários parceiros (fábricas) em Portugal que compartilham nossa visão de qualidade. A nossa empresa é baseada no bom relacionamento que temos e na perceção das necessidades dos nossos clientes.

 

FM – Tinha alguma ligação com Portugal, antes de abrir a LAST STUDIO?

LJ – Trabalho com empresas portuguesas há 15 anos. Trabalhei como comercial de uma grande empresa de moda que comprava calçado em Portugal. Por isso tenho uma grande compreensão do setor e dos seus desafios.

 

FM – O que é que o levou a abrir uma empresa em Portugal e, particularmente, em Felgueiras?

LJ – Felgueiras é o centro da indústria de calçado em Portugal. É extremamente importante para mim que estejamos visíveis e disponíveis para os parceiros com os quais trabalhamos. As portas da LAST STUDIO estão sempre abertas a todos os amigos da nossa empresa. Ao mesmo tempo, é também importante que tenhamos um bom showroom para receber os nossos clientes e estar próximos dos fornecedores.

 

FM – Encontrou obstáculos burocráticos para abrir a LAST STUDIO em Portugal ou foi um processo simples?

LJ – Nada é fácil, mas, para ser sincero, foi mais simples do que eu esperava. Ser membro da União Europeia faz com que uma boa parte do processo seja semelhante ao da Dinamarca. Eu também tenho uma equipa de pessoas muito competentes a trabalhar comigo em Portugal e isso ajudou muito no processo de abertura da empresa, pois eles conhecem o sistema. Também tivemos apoio e assessoria jurídica de uma sociedade de advogados local.

 

FM – Que recomendações faria aos governantes portugueses para melhorar a atratividade de Portugal para o investimento estrangeiro?

LJ – Em primeiro lugar, todas as informações para investidores estrangeiros deveriam estar disponíveis em inglês. Sendo eu da Escandinávia, existe uma barreira linguística que o governo deveria fazer mais para eliminar. Em segundo lugar, acho que muitas empresas estrangeiras não têm conhecimento da qualidade dos trabalhadores portugueses. É algo que deve ser mais divulgado. Portugal tem uma longa e orgulhosa tradição na área da manufatura, algo que será muito valorizado nos próximos anos e onde se deve apostar e dar relevo. Por fim, à medida que mais empresas procuram soluções ao nível da produção mais ecológica, responsabilidade social e transparência em termos de recursos humanos, acho que Portugal possui uma indústria muito ágil, que pode estar na vanguarda destes desafios, mas precisa de mais apoio e investimentos do governo, devendo haver mais instrumentos financeiros disponíveis para as empresas.

“Muitas empresas estrangeiras não têm conhecimento da qualidade dos trabalhadores portugueses”

FM – Recomendaria a amigos seus, na Dinamarca ou outras partes do mundo, investirem e abrirem empresas em Portugal?

LJ – Absolutamente. A produção na Ásia está, e continuará a deslocalizar-se para o Ocidente. Portugal será um dos principais países a ganhar com isso. Penso que investir em Portugal é investir no futuro e ter recursos humanos qualificados, com competências linguísticas, comerciais e também ao nível da produção. São duas razões muito fortes pelas quais eu a recomendo Portugal aos meus colegas.

 

FM – O que acha dos trabalhadores de Felgueiras? Quais os pontos fortes e quais os aspetos a melhorar?

LJ – Na LAST STUDIO, tenho uma equipa de pessoas muito qualificadas. Estou muito orgulhoso das pessoas que trabalham comigo. O sucesso da LAST STUDIO é fruto tanto do meu esforço como no esforço da minha equipa. Acho que os felgueirenses são trabalhadores empenhados e focados. Penso que eles precisam acreditar mais em si mesmos e serem mais assertivos. Na Escandinávia, a estrutura de gestão na maioria das empresas é “plana”, portanto não há muitos cargos com responsabilidade de gestão intermédia. Acredito que todos precisamos progredir nos nossos empregos e, para progredir, precisamos assumir responsabilidades pelas nossas ações. Passamos grande parte das nossas vidas a trabalhar. Para mim é importante que as pessoas se sintam confortáveis nos seus trabalhos e tenham uma mentalidade positiva.

 

FM – Passados dois anos da constituição da LAST STUDIO, está satisfeito com o investimento feito em Portugal? O que fazia de diferente se pudesse voltar atrás?

LJ – Não mudaria nada. Estamos a investir em pessoas e oportunidades. Não estamos à procura de soluções rápidas ou fáceis. Quando olhamos para os nossos colegas no setor do calçado, ainda somos jovens e precisamos de ganhar mais experiência, mas estamos focados e no caminho certo.

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