Neste episódio, Pedro Fonseca e António Faria analisam o mais recente comunicado do PSD de Felgueiras, que acusa o Executivo Municipal de lançar um “festival de obras” em ano de eleições. Há mesmo propaganda ou é o ciclo natural de um mandato?
No segundo tema, os holofotes viram-se para a Praça das Artes, o maior evento cultural de verão em Felgueiras. Entre sugestões de melhoria e elogios ao programa, os comentadores debatem o impacto do evento na cidade e no concelho.
PSD acusa Executivo de propaganda eleitoral; António Faria pede “seriedade” no debate político
O mais recente comunicado do PSD de Felgueiras, que acusa o Executivo Municipal de lançar um “festival de obras apressadas” em vésperas de eleições, foi o principal tema em debate no episódio desta semana do podcast Aquilo que ninguém te conta sobre Felgueiras. Convidado por Pedro Fonseca, o comentador António Faria reagiu às críticas dos sociais-democratas e apelou a uma campanha eleitoral marcada por “ideias positivas” e “respeito pelos felgueirenses”.
“O PSD acusa o Executivo de não realizar obras durante sete anos, de endividar o concelho e de, agora, em vésperas de eleições autárquicas, lançar obras caras, apressadas e recorrendo a ajustes diretos”, resumiu Pedro Fonseca, no arranque da conversa. Para António Faria, esta abordagem é “surpreendente” e repete os erros cometidos em campanhas anteriores. “O PSD está a cair no erro que cometeu há quatro anos. Também nessa altura disseram que nada se tinha feito e os felgueirenses deram uma maioria ao atual Presidente”, recordou.
Sem se colocar na defesa do Executivo, António Faria clarificou que a sua análise é feita “em nome dos interesses de Felgueiras” e considerou que, numa gestão autárquica, há fases distintas que precisam de ser compreendidas. “Um mandato político é um processo. Primeiro executam-se os ramais de água e saneamento, depois pavimenta-se. As obras que vemos agora são resultado de planeamento e de trabalho feito ao longo dos últimos anos”, afirmou.
Sobre a polémica em torno dos ajustes diretos, Faria foi claro: “O ajuste direto está previsto na lei e é utilizado por todos os municípios do país, incluindo câmaras geridas pelo PSD. Não é um bicho-papão”. E acrescentou: “Tentar confundir os felgueirenses com isso é desrespeitoso”.
Pedro Fonseca concordou com algumas das críticas do comunicado, nomeadamente no que diz respeito à rede viária municipal. “Acho que se fez muito pouco pelas estradas nos últimos anos. Por mais obras que se façam agora, o povo não se vai esquecer dos buracos”, disse. Ainda assim, reconheceu que é habitual existirem mais obras em período pré-eleitoral. “Isto acontece em todo o país. O povo até costuma dizer — e com razão — que devia haver eleições todos os anos”, comentou.
António Faria alertarou para a necessidade de elevar o debate político e evitar ataques gratuitos. “Temos de ser sérios e transparentes. Não vale tudo. A política deve ser feita com respeito e propostas concretas”, frisou António Faria, considerando que o comunicado do PSD “não está a dizer a verdade” e “começa muito mal esta campanha”.
Pedro Fonseca rematou a discussão com uma provocação: “Duvido que haja político neste país que não pense em apresentar obras antes das eleições”. Ao que António Faria respondeu: “É por isso que digo que não sou político. Estou na política, mas não sou político”.
Praça das Artes regressa a Felgueiras com sugestões de melhoria
O segundo tema em destaque no episódio do podcast foi a Praça das Artes, evento cultural organizado pela Câmara Municipal de Felgueiras e pela ACLEM, que decorre na Praça Dr. Machado de Matos entre 11 de julho e 3 de agosto. O programa inclui concertos com artistas como Quinta do Bill, Carlão, Átoa e Última Gota, para além do habitual Festival da Francesinha, Vinho Verde & Street Food, espetáculos de dança e atividades para crianças.
Pedro Fonseca destacou o impacto positivo do evento para o centro da cidade e deixou algumas sugestões: “A esplanada podia ter mais mesas ou até um segundo bar, mais afastado do palco. Também gostava de ver mais expositores no Vinho Verde & Street Food, incluindo produtores de fora, como acontece no ‘UVVA’, em Amarante. E os insufláveis podiam manter-se até meados de agosto. Os pais agradeciam”, defendeu.
António Faria concordou. “São 24 dias com muita atividade. A Praça Dr. Machado de Matos já se tornou um local de referência na cidade, e este evento atrai tanto os mais novos como os mais velhos. É cultura e convívio. E as escolas de dança têm um papel importante nisso”, afirmou.
Recordando que muitos pais gostam de ver os filhos a participar nos espetáculos, Faria apontou também a necessidade de reforçar o espaço para o público. “Muitas vezes não há lugar para nos sentarmos. Mesmo os puffs sob a tenda não chegam. Falta espaço para conviver e estar com os amigos”, disse.
Quanto ao vinho verde, os dois comentadores defenderam a importância de abrir o evento a produtores de outras regiões. “O nosso vinho é excelente, mas já o conhecemos. Seria interessante trazer outras referências, até para atrair visitantes de fora e ajudar os nossos produtores a divulgar as suas marcas”, defendeu Pedro Fonseca.
Faria acrescentou que a iniciativa podia ter um papel mais ativo na promoção do setor. “Se houvesse mais expositores, faria sentido convidar profissionais da restauração para provarem os vinhos e, quem sabe, encomendar para os seus estabelecimentos. Seria ouro sobre azul”, sugeriu.
O episódio terminou com um elogio à programação e à importância do evento para a identidade cultural de Felgueiras. “Somos dos maiores produtores de vinho verde e temos de saber aproveitar estas oportunidades para mostrar o que é nosso”, concluiu António Faria.