“O mercado do setor do calçado pode recuperar muito rapidamente”

O Felgueiras Magazine entrevistou Lasse Jespersen, dinamarquês, sócio gerente da LAST STUDIO, uma empresa de Felgueiras do setor do calçado, que nos deu a sua opinião sobre as implicações que a Covid-19 está a ter na indústria do calçado.
Lasse Jespersen 2

A Covid-19 está a ter consequências negativas na economia, com especial relevância para o setor da moda, onde a indústria de calçado de Felgueiras se inclui. Lasse Jespersen deu ao Felgueiras Magazine a sua visão sobre a indústria de calçado no contexto da pandemia.

Felgueiras Magazine – As medidas governamentais para apoiar as empresas de calçado nessa situação de pandemia correspondem às necessidades das empresas?

 Lasse Jespersen – Não, em termos de apoios para o calçado, estes têm sido limitados, mas não posso falar por todo o setor.

Somos uma equipa pequena e ágil na LAST STUDIO, por isso entendo que o apoio deve ser direcionado aos setores que mais precisam. É importante que todos os setores da nossa indústria sejam apoiados para conseguirmos ultrapassar esta situação.

 

Felgueiras Magazine – Acredita que no próximo ano as feiras internacionais de calçado serão realizadas? Será necessário encontrar alternativas para as feiras de calçados?

Lasse Jespersen – O conceito ou a estrutura das feiras como ferramenta de vendas não funcionam adequadamente há muito tempo, e a Covid-19 está-nos a forçar a procurar outras alternativas.

O meu sentimento pessoal com as feiras é que elas não geram novos negócios, são uma ferramenta que usamos para manter relacionamentos.

A feira acaba por ser uma ferramenta muito cara, que quando não é usada corretamente parece um desperdício de tempo e dinheiro.

Não vejo as feiras como a nossa principal prioridade para as próximas coleções. As organizações por trás das feiras precisam de se reinventar e apresentar uma nova estrutura para vendermos.

Mesmo havendo feiras em setembro, o número de visitantes será muito menor e a atmosfera será diferente em comparação às edições anteriores.

Eu também sugeria aos organizadores das feiras a olharem para os custos apresentados aos expositores. São custos muito altos e os expositores ainda têm que construir um stand, ter colaboradores na feira e pagar a inscrição. Neste momento, eu diria que as feiras são “Nice to have, NOT need to have” e, portanto, terão menos importância.

 

Felgueiras Magazine – Considerando as restrições de viagem devido ao Covid-19, como sua empresa está a comunicar e a apresentar os seus produtos aos clientes?

 Lasse Jespersen – Eu gostava de dizer, mas essa é uma estratégia que mantemos para nós. Posso dizer que precisamos de “reinventar a roda” e sair da nossa zona de conforto, mas acho que podemos manter e aumentar nossa posição com a abordagem correta.

“Não investir no digital será um erro (…) temos de fazer este investimento agora, como país e como indústria”.

Felgueiras Magazine – A promoção do calçado fabricado em Portugal no futuro será digital? As empresas, especialmente portuguesas, estão prontas para esse desafio?

Lasse Jespersen – O digital é, certamente, uma parte do modelo de negócio que se tem de considerar. Mesmo antes da Covid-19 era importante, mas a situação atual sublinhou a importância deste tema.

Não sei se todas as empresas portuguesas estão preparadas, mas penso que não investir no digital será um erro e penso que esta poderá ser uma das principais áreas em que o apoio do governo poderá ser muito útil.

Creio que muitas empresas estão apreensivas em investir nesta área porque é difícil ver o retorno imediato do investimento, por isso decidem poupar o dinheiro e esperar que o mercado mude, mas, do meu ponto de vista, temos de fazer este investimento agora, como país e como indústria.

Temos de catapultar a indústria portuguesa de calçado para o futuro e considerar que, se não estivermos na vanguarda, seremos deixados para trás por mercados mais agressivos.

 

Felgueiras Magazine – A Covid-19 faz alterações no retalho, no fabrico e no consumo de calçado? 

 Lasse Jespersen – Sim, Sim e Sim! Em termos de retalho, penso que a mudança para o online irá acelerar e crescer. Os consumidores vão, depois da Covid-19, estar ainda mais à vontade a comprar online e as gerações mais velhas, que, por várias razões, poderiam não estar tão à vontade a comprar na internet, já o experimentaram e viram as oportunidades.

Na produção penso/espero que vamos ter uma oportunidade para as fábricas portuguesas se tornarem mais relevantes por várias razões: prazos de entrega mais curtos em comparação com a Ásia, transporte mais barato e mais acessível do que a China, Vietname e Camboja.

Em termos de consumo, acredito que o consumo de calçado vai diminuir, tornando mais importante do que nunca que as empresas se destaquem como marca ou fabricante. É igualmente importante que os clientes e consumidores sejam reeducados a compreender a qualidade e a apreciar produtos artesanais feitos à mão, como o calçado de couro.

“Acredito que o consumo de calçado vai diminuir, tornando mais importante do que nunca que as empresas se destaquem como marca ou fabricante”.

Felgueiras Magazine – Estamos a assistir a uma redução nas encomendas de calçado. Haverá uma possibilidade real de as empresas portuguesas de calçado terem de reajustar e reduzir o número de colaboradores?

Lasse Jespersen – Para ser sincero, penso que depende da forma como o negócio estiver estruturado e será diferente para cada empresa. Penso que em geral, a indústria portuguesa está sob pressão da concorrência, mas isso não tem nada a ver com a Covid-19.

É importante que nos perguntemos onde estará a indústria daqui a 5-10 anos e, para alcançarmos resultados, precisamos de utilizar a situação atual para catapultar a nossa indústria para um novo patamar.

Olhando para a minha própria empresa como exemplo, os fatores-chave em que nos concentramos são o serviço ao cliente, a qualidade, a rapidez e a sustentabilidade. Não se trata de uma receita secreta ou especial, mas precisamos de trabalhar nela todos os dias em tudo o que fazemos.

 

Felgueiras Magazine – Os armazéns e lojas de calçado estão cheios. O calçado é particularmente sensível ao elemento tempo e pode sair de moda. Por outro lado, com os armazéns cheios, as encomendas serão reduzidas. O que acontecer à coleção que está atualmente no mercado, bem como à próxima coleção de calçado?

 Lasse Jespersen – Penso que alguns vão tentar fazer vendas rápidas e reduzir os preços em 50, 60 ou 70% para escoar o stock e outros vão tentar vender o calçado na próxima estação.

Não há dúvida de que a SS21 será uma época difícil para todos e é importante que nos concentremos em trabalhar em conjunto como indústria para eliminar este obstáculo.

 

Felgueiras Magazine – Quais são as suas expectativas para o sector do calçado para os próximos meses?

Lasse Jespersen – Estamos a entrar em águas muito turvas, e tudo depende da rapidez com que o mercado recupere a anterior posição. Dependerá também de vermos uma segunda vaga de Covid-19 e de como isso será tratado pelos governos de todo o mundo.

O consenso geral é que o mercado pode recuperar muito rapidamente, e mais rapidamente do que o crash financeiro de 2009, uma vez que o mercado estava em plano positivo antes da Covid-19. O pior que pode acontecer é estarmos fechados numa recessão geral da qual levará anos a recuperar, mas penso que aprendemos muito e que, juntos, podemos prosperar.

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