O restaurante Brasão, em Felgueiras, foi o palco do último encontro da Ordem da Cabidela. Na noite de 26 de novembro, cerca de 70 pessoas disseram “Pela Ordem!” e sentaram-se à mesa de António Carvalho, anfitrião de um jantar pensado ao detalhe para celebrar a cabidela em várias versões.
Ao lado do chef felgueirense estiveram quatro nomes vindos de diferentes pontos do país: Jossara Martins (3 Marias, Vila Real de Santo António), Renato Cunha (Ferrugem), António Vieira (Wish) e Aida Augusto, mestre queijeira, vinda de Viana do Castelo. Um elenco que deixou claro que a cabidela é assunto sério… mas vivido em modo festa.
O menu começou logo em registo de conforto, com o xerém de bivalves confecionado por Jossara Martins a abrir caminho para o que vinha a seguir. Depois, Renato Cunha trouxe à mesa um peixe-galo de cabidela, prova de que o prato pode ir muito além da galinha tradicional, mantendo o sabor intenso e a alma bem portuguesa.
A casa, essa, falou alto nas papas de sarrabulho assinadas por António Carvalho, um clássico do Brasão. O chef lembra muitas vezes “que papas de sarrabulho são únicas, ainda é tradição antiga. Eu tenho 48 anos de restauração e a minha receita ainda é dessa época. Foi um célebre cozinheiro me ensinou e eu mantenho esse ensinamento pela vida fora. São diferentes, são umas papas com muito conteúdo, muito antigas, com muito paladar”.

A seguir, foi a vez de António Vieira assumir o protagonismo com o galo de cabidela, prato central do jantar, enquanto Aida Augusto tratava de levar à mesa a sua seleção de queijos afinados.
No capítulo das sobremesas, a noite não perdeu o tom de surpresa: um gelado de cabidela – sim, cabidela em versão fresca e doce – dividiu atenções com um clássico toucinho do céu, fechando o menu entre a provocação gastronómica e a doçaria de conforto.
No final, António Carvalho mostrava-se satisfeito com a forma como Felgueiras recebeu a Ordem da Cabidela. O objetivo, sublinha, passa sempre por mais do que encher a sala: “a nossa missão é criar um ambiente que todos vão felizes, bem comidos, desta vez com uma proposta diferente do que estamos habituados.”
Uma noite em que a cabidela serviu de pretexto para juntar chefs, memórias e muito apetite à mesa do Brasão.