Arrancaram as negociações para a revisão do Contrato Coletivo de Trabalho do setor do calçado, com uma proposta da FESETE que aponta a uma subida de 20,2% da massa salarial já em 2026, repartida entre um aumento de 17,8% nos salários e um reforço do subsídio de alimentação.
Para a APICCAPS importa reconhecer a legitimidade do processo negocial e o papel fundamental do diálogo social, mas importa enquadrar esta proposta na realidade concreta do setor.
“A APICCAPS tem assumido uma posição responsável, ponderada e tecnicamente fundamentada, enaltecendo sempre a importância da valorização dos trabalhadores, sem comprometer a sustentabilidade das empresas”, sublinha Paulo Gonçalves. “Negociar um contrato coletivo exige encontrar um equilíbrio entre a necessária melhoria das condições salariais e a capacidade efetiva das empresas, em particular das pequenas e médias unidades produtivas, para suportar aumentos desta dimensão sem perda de competitividade”, defende o Diretor Executivo.
Em traços gerais, “o atual enquadramento económico internacional permanece marcado por incerteza, abrandamento do crescimento em mercados estratégicos, pressão sobre os custos, bem como forte concorrência de países terceiros com estruturas de custos significativamente mais baixas”.
Para a APICCAPS, “o contexto atual aconselha prudência nas decisões que tenham impacto estrutural e permanente nos encargos das empresas”. “Não vamos colocar em risco o nosso setor”, defende Paulo Gonçalves. Neste caso em particular, “na ausência de bom senso, há negociações que ameaçam acabar, antes mesmo de começar”.