Sete courts de pádel numa região onde não havia nenhum. Esse foi o primeiro projeto que revelou como funciona a parceria entre Luciano de Vries e Nick Houwen na Casa Vista Real Estate.
“Somos todos fãs de jogar pádel, na verdade, os três accionistas. Notei que em Loulé, que fica no meio de nós três, não há realmente um court”, explicou de Vries sobre a origem da ideia. Procuraram terreno durante meses. Encontraram-no. Agora, constroem sete courts com um ginásio anexo.
A lógica repete-se nos outros projectos da Casa Vista. Necessidade pessoal ou lacuna no mercado, confirmada por observação directa, seguida de acção. Houwen, cofundador e promotor imobiliário sediado no Algarve, partilha com De Vries e um terceiro sócio a gestão de um portefólio que se estende por quatro municípios algarvios.
Quatro Municípios, Quatro Apostas
Olhão concentra o maior projecto: 234 unidades residenciais num terreno já adquirido, a aguardar o fim de um processo de licenciamento que De Vries descreve como lento, mas inevitável. “Ainda não estamos a construir porque, em Portugal, não se pode construir num mês. Primeiro precisa de comprar, depois precisa de ter as conversas, depois precisa de falar com os arquitectos e com os engenheiros,” descreveu sobre a cadência imposta pelos processos regulatórios portugueses.
Em Silves, a empresa propõe algo que o Algarve tem pouco: um edifício que combina funções culturais, comerciais e habitacionais sob o mesmo tecto, com espaço museal, gabinetes, hotelaria e apartamentos. Ferragudo acrescenta escala, com duas parcelas em negociação que poderão gerar cerca de 80 vilas. O pádel em Loulé completa o mapa.
O preço médio por metro quadrado no Algarve atingiu 3.467 euros em agosto de 2025, uma subida de 9,3% face ao mesmo período do ano anterior. Loulé é um dos municípios com maior valorização, com preços que atingem 5.672 euros por metro quadrado no início de 2026. O aeroporto de Faro processou mais de 10 milhões de passageiros em 2025, e a ligação directa com Nova Iorque abriu uma porta que promotores como De Vries e Houwen pretendem aproveitar.
Quem compra e por quê
De Vries lê o mercado pelo que vê, não pelo que modela.
“Se andar por aqui, vê muitos projectos por desenvolver, o que pode não ser um bom sinal, mas também vê muitos turistas a chegar todos os anos. Vê-os a ficar mais tempo, e vê-os a gastar mais dinheiro,” observou.
A tendência é demográfica. Europeus do norte procuram estadias mais longas em climas mais quentes, não apenas duas semanas no verão. “Vê a tendência de que os europeus do norte gostariam