A Lixa acaba de se tornar palco de um projeto artístico e enológico sem precedentes. Chama-se Exordium e é a mais recente criação de João Goucho, enólogo natural da Lixa, que decidiu juntar duas das suas maiores paixões — o vinho e a música — numa experiência sensorial única.
Mais do que um simples vinho com banda sonora, Exordium apresenta-se como um conceito artístico completo. A música foi composta propositadamente para representar em som todas as fases da vinificação, desde a fermentação ao engarrafamento. A peça instrumental combina elementos da música experimental com instrumentos tradicionais portugueses, como a viola amarantina, percussões, guitarras e orquestra, criando uma narrativa sonora que acompanha e dá corpo ao vinho.
O vinho é igualmente singular. Produzido com a casta Arinto, trata-se de um vinho natural, biológico e biodinâmico, vinificado em ânfora (talha alentejana) na Quinta da Palmirinha, na Lixa. O processo incluiu contacto prolongado com as películas, algo inédito na região dos vinhos verdes, o que lhe confere uma complexidade aromática e textural fora do comum. Outro dos aspetos distintivos é a proteção do vinho sem recurso a sulfitos, utilizando antes um método tradicional desenvolvido pelo avô de João Goucho, baseado na utilização da flor do castanheiro.
Com este projeto, João Goucho pretende “criar uma experiência artística que fale da terra, do tempo e da transformação”, homenageando ao mesmo tempo as raízes familiares, a tradição e a inovação local. A garrafa, com design da artista Leonor Batista, será apresentada em breve, enquanto a música já pode ser ouvida no YouTube.
Exordium nasce, assim, com ADN lixense e a ambição de dar a provar e a ouvir o que de mais genuíno se faz no cruzamento entre arte e natureza.