Os sócios dos Bombeiros Voluntários de Felgueiras vão a votos a 10 de janeiro, com duas listas na disputa pelos Órgãos Sociais. À frente da Lista B, Miguel Faria apresenta-se com uma mensagem de mudança centrada na “capacidade de resposta” ao socorro, na revisão das escalas e na valorização dos operacionais.
Em resposta ao Felgueiras Magazine, o candidato afirma que há falta de meios e pede uma avaliação urgente da auto-escada, que diz estar inoperacional “há cerca de quatro anos”. Na área financeira, defende cortes na fatura energética e mais angariação de sócios, e sustenta que o empréstimo bancário “ainda carece de esclarecimentos”.
Entrevista a Miguel Faria (Lista B)
1. Qual o principal problema que pretende corrigir?
O principal desafio enfrenta-se na capacidade de resposta às solicitações de socorro, com ênfase em garantir uma maior operacionalidade e prontidão e eficiência no apoio a comunidades, rever as escalas operacionais e otimizar os recursos humanos disponíveis. Além disso, tentaremos reforçar a organização interna e combater as falhas operacionais existentes. Um ponto crucial é a transparência na comunicação com os associados, promovendo uma relação de confiança e proximidade que favoreça um ambiente colaborativo e produtivo.
2. Que estratégia tem para a sustentabilidade financeira: onde vai cortar despesas, onde vai investir e como vai aumentar a receita?
A nossa abordagem para a sustentabilidade financeira é pautada por uma gestão responsável e equilibrada, centrada na redução de custos e na maximização de receitas.
— Redução de custos: a estratégia inclui intervenções estruturais no quartel para reduzir a fatura energética, eliminando deslocações desnecessárias e otimizando a utilização dos recursos disponíveis.
— Investimentos necessários: destacamos a aquisição de duas viaturas elétricas que servirão para serviços internos e pataletas, além de fortalecer a capacidade de prestação de serviços não urgentes, criando assim novas fontes de receita.
— Aumento da receita: aumentar a eficiência na cobrança de valores em dívida é fundamental. Também pretendemos focar na angariação de novos sócios, valorizar os atuais e promover atividades de angariação de fundos que envolvam a comunidade local, potencializando a participação e o apoio social.
3. Considera que a questão do empréstimo bancário está esclarecida?
Atualmente, consideramos que a questão do empréstimo bancário ainda carece de esclarecimentos. Continuamos a aguardar informações adicionais por parte da Assembleia Geral, especialmente sobre a data de contratação, o valor exato, a fundamentação para tal decisão e se foi devidamente aprovado pelos associados. Ademais, existem outras dúvidas relacionadas a iniciativas como Holicolor, Neon Run e as edições do Comedy Fest que não foram suficientemente esclarecidas nas reuniões da Assembleia, o que compromete a transparência financeira da corporação.
4. Se ganhar, qual é a primeira decisão que toma nos primeiros 30 dias?
Nos primeiros 30 dias, a minha prioridade será reunir com o Comando e o Corpo Ativo, para ouvir atentamente os seus anseios, preocupações e necessidades. Esta abordagem visa assegurar que as decisões futuras sejam informadas pela realidade operacional atual, promovendo um ambiente de diálogo aberto e respeitoso que valorize o conhecimento e a experiência dos bombeiros.

5. Que três meta mensurável assume para o mandato?
- Reforço operacional: comprometemo-nos a implementar medidas que tornem a carreira dos bombeiros assalariados mais atrativa, através de melhores condições laborais e incentivos adequados.
- Melhoria das condições de segurança e infraestrutura: focaremos em criar condições seguras e de qualidade, incluindo a renovação do parque de viaturas e a construção de uma casa-escola que facilitará a formação contínua dos nossos bombeiros.
- Desenvolvimento de um polo operacional: temos a meta de estabelecer um polo operacional na zona de Idães ou em áreas circunvizinhas, garantindo uma resposta mais rápida e eficiente às solicitações de socorro.
6. Que diagnóstico faz hoje do estado operacional da corporação?
No que diz respeito ao estado operacional da corporação, acreditamos que contamos com uma massa humana excecional; temos verdadeiros profissionais a quem depositamos total consideração e confiança. Contudo, reconhecemos que estes bombeiros não têm recebido a valorização e o reconhecimento que merecem. É vital que entendamos a importância de aumentar o número de operacionais, de modo a atender plenamente às exigências e desafios atuais.
7. Há falta de meios? Se sim, qual o investimento mais urgente e porquê?
Sim, atualmente enfrentamos falta de meios. A avaliação do estado da auto-escada é urgente, pois está inoperacional há cerca de quatro anos — um tempo excessivo para uma ferramenta crítica. Além disso, defendemos a aquisição de novas viaturas e de equipamentos adequados para combate a incêndios urbanos e industriais. Este investimento é essencial devido ao crescimento das zonas habitacionais e industriais na nossa área de atuação, limitando a nossa capacidade de resposta se não forem tomadas medidas imediatas.
8. O relacionamento com o município é satisfatório? O que exigirá ou negociará diferente?
Sim, consideramos que o relacionamento institucional com o município é satisfatório. No entanto, o nosso objetivo é negociar melhorias em termos de benefícios sociais para os bombeiros, conforme delineado no nosso manifesto. Pretendemos discutir questões como a isenção de pagamento do IMI, do IUC e a implementação de estacionamento gratuito para os membros da corporação na cidade, como reconhecimento pelo nosso serviço à comunidade.
9. Que legado quer deixar no final do mandato?
O legado que ambicionamos deixar transcende o combate às chamas. Desejamos construir um legado baseado na integridade, na dedicação e no verdadeiro espírito de missão. Queremos inspirar os jovens a abraçar esta causa com paixão e comprometimento, reafirmando o papel do corpo de bombeiros como um farol de esperança e proteção nas comunidades. Em conjunto, pretendemos erguer uma associação mais forte e um socorro mais eficaz, contribuindo para a construção de um mundo onde a segurança e a justiça prevaleçam, e onde servir com coragem e coração seja sempre a nossa prioridade.
Convidamos os associados e a comunidade a unirem-se a nós nesta eleição, pois juntos somos mais fortes e capazes de realizar mudanças significativas que beneficiarão a todos. Nós estamos prontos!