No próximo dia 10 de janeiro, os sócios dos Bombeiros Voluntários de Felgueiras vão escolher os Órgãos Sociais, com duas listas a disputar a liderança: a Lista A, que se apresenta como continuidade, e a Lista B.
Em entrevista ao Felgueiras Magazine, Filipe Gonçalves, candidato a presidente da Direção pela Lista A, faz o balanço do mandato que termina, destaca a aquisição de equipamentos e viaturas, sublinha a aposta na formação e assegura que a Associação “reforçou a estabilidade financeira”. Sobre o empréstimo bancário, garante que a questão “está esclarecida”.
Entrevista a Filipe Gonçalves (Lista A)
1. A Lista A apresenta-se como continuidade. Que balanço faz do mandato que agora termina?
A Direção, nestes últimos três anos, proporcionou, adquiriu e equipou todo o efetivo do Corpo Ativo com Equipamentos de Proteção Individual (EPI).
Adquirimos, entre outros, um equipamento de desencarceramento portátil topo de gama HOLMATRO PENTHEON (com baterias recarregáveis), quatro rádios SIRESP e 12 cilindros de ar comprimido.
Mantivemos a renovação do parque de viaturas, com a aquisição de cinco ambulâncias e um VFCI (Veículo Florestal de Combate a Incêndios), há muitos anos ambicionado, maximizando assim a nossa capacidade de resposta no que aos incêndios florestais/rurais diz respeito. Estes investimentos ultrapassaram o meio milhão de euros. Mesmo assim, reforçámos a estabilidade financeira da Associação.
2. Que indicadores mostram que os Bombeiros estão hoje melhor do que há 3/4 anos (operacionalidade, tempos de resposta, finanças, formação)?
Como referido na questão anterior, efetuámos investimentos que ultrapassaram o meio milhão de euros, conseguindo, mesmo assim, reforçar a estabilidade financeira da Associação.
Quanto à formação, foram dados, entre outros, 48 cursos de Condução de Veículos de Emergência Pré-Hospitalar a todos os motoristas, quer funcionários, quer voluntários, além de oito cursos de Condução Fora de Estrada. Foram também facultados seis cursos de TAS (Tripulante de Ambulância de Socorro) a todos os bombeiros voluntários que o pretenderam e sete a funcionários.
Adquirimos também simuladores para formação em SBV e tornámo-nos uma entidade formadora na área de Suporte Básico de Vida com DAE, acreditada pelo INEM.
Quanto à operacionalidade e tempos de resposta, estamos mais eficientes, pois estamos melhor equipados, refletindo-se em mais ambulâncias, monitores, Emergency Plug e na implementação de cinco portáteis para apoio na emergência pré-hospitalar, com a utilização do programa I TEAMS-INEM. Além de tudo isto, reforçámos o Corpo Ativo com 20 novos bombeiros.
3. Considera que a questão do “empréstimo bancário” está esclarecida?
Só não está para quem não quer ser esclarecido. Nunca foi um problema, pois na Assembleia Geral de 31 de março de 2025 a introdução do ponto referente ao empréstimo foi aprovada por unanimidade. De seguida, depois de serem dadas todas as explicações, inclusivamente a garantia de que a Associação estaria sempre em condições da sua liquidação, foi o mesmo aprovado por maioria. Basta ler a ata ou, então, ter estado presente na referida Assembleia Geral.

4. Aproveito para questionar: qual a situação financeira atual dos Bombeiros Voluntários de Felgueiras?
É uma situação financeira estável, com alguma folga, e capaz de fazer face a qualquer investimento que seja necessário.
5. Que três metas mensuráveis assume para o mandato (ex.: formação, frota, tempos de resposta, contas)?
O mandato é da Direção e este compreende a Associação no seu todo, incluindo naturalmente o Corpo de Bombeiros.
Metas: continuação da dotação do Corpo de Bombeiros com os meios necessários ao exercício da sua missão; continuação de um forte investimento na formação e aumento dos operacionais com uma nova recruta; manter e, se possível, desenvolver a excelência demonstrada por esta Associação ao longo de toda a sua existência.
6. Que diagnóstico faz hoje do estado operacional da corporação?
A corporação é, em termos operacionais, uma referência reconhecida pelas entidades coordenadoras, quer ao nível da emergência pré-hospitalar (INEM), quer ao nível da proteção civil (ANEPC).
7. Há falta de meios? Se sim, qual é o investimento mais urgente (e porquê esse e não outro)?
Não há falta de meios. Pode acontecer que, momentaneamente, não haja meios disponíveis, materiais ou humanos. Nestes casos, funcionam os sistemas de coordenação implementados (SIEM e ANEPC), que monitorizam todas estas situações, articulando entre os diversos agentes as respostas adequadas.
8. O relacionamento com o Município é satisfatório? O que exigirá/negociará?
Sim, é satisfatório. Claro que queremos sempre mais e assim o tentaremos. Neste momento, está em estudo um novo regulamento de regalias para os nossos bombeiros, no qual contamos ser parte ativa na sua finalização.
Sempre que temos tido oportunidade, temos vindo a alertar o Executivo para a necessidade de melhorar as garantias dos seguros de responsabilidade civil dos nossos bombeiros. E continuaremos a insistir até conseguirmos alcançar esse objetivo.
9. Que legado quer deixar no final do mandato?
Uma Associação com contas saudáveis, transparentes e claras, organizada, funcional e com gestão equilibrada; e um Corpo de Bombeiros bem servido de meios materiais e humanos, apetrechado para aumentar e responder a qualquer tipo de intervenção.