O futuro da Linha do Vale de Sousa esteve no centro do debate parlamentar no passado dia 7 de abril, com o Governo a assumir que a decisão final sobre a construção da infraestrutura ferroviária só será tomada após a conclusão da análise de custo-benefício, prevista para o primeiro trimestre de 2027.
Na audição na Comissão de Economia, Obras Públicas, Planeamento e Habitação, o Ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, garantiu que o processo seguirá critérios técnicos rigorosos, afastando decisões políticas precipitadas. “Tomar decisões sem alicerces sólidos não contarão connosco seguramente”, afirmou.
O governante revelou que o estudo de viabilidade técnica e ambiental será apresentado aos municípios já em maio, cumprindo o calendário estabelecido com as autarquias. “Maio deste ano será apresentado o estudo de viabilidade técnica e ambiental aos municípios. Posteriormente passamos para a análise de custo-benefício”, explicou.
Ainda assim, Pinto Luz deixou claro que o Governo não avançará sem garantias. “Se queremos pôr o carro à frente dos bois, manifestamente não contam comigo para essa forma de estar na vida política, ainda para mais para gerir 200 milhões”, disse, referindo-se às estimativas iniciais do investimento.
O ministro sublinhou também a complexidade técnica do projeto. “Só estes 35 quilómetros têm 40% em túnel. É só para percebermos a dimensão da obra pública que estamos aqui a implementar”, destacou, admitindo que os custos apontados em estudos anteriores podem estar desatualizados.

Para o responsável, a região do Vale de Sousa é prioritária, não apenas pela dimensão populacional e empresarial, mas também pelas assimetrias existentes. “É uma situação gritante. Estamos a falar de uma região com baixo rendimento per capita, rodeada por outras que estão exatamente no oposto. Esta região foi esquecida de uma forma generalizada”, afirmou, reforçando o compromisso político do Executivo.
Também o secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, destacou a necessidade de consolidar tecnicamente o projeto antes de qualquer decisão. “O calendário é claro: em maio teremos o estudo de viabilidade técnica e ambiental, que vai consolidar o traçado e demonstrar que é possível”, referiu.
O governante sublinhou que o processo evoluiu face aos primeiros estudos, que apontavam para um investimento de cerca de 180 milhões de euros. “Aquilo que existia era um ponto de partida. Depois houve um trabalho muito próximo entre a Infraestruturas de Portugal, a Área Metropolitana do Porto, a CIM do Tâmega e Sousa e os municípios para ultrapassar divergências”, explicou.
Segundo Hugo Espírito Santo, um estudo de tráfego entregue em abril de 2024 aponta para uma procura estimada de cinco milhões de passageiros por ano, com um tempo de viagem entre Felgueiras e o Porto de cerca de uma hora.
Ainda assim, reforçou que a decisão dependerá de todos os dados técnicos e de uma articulação institucional alargada. “A nossa posição só poderá ser tomada com base numa análise sólida, numa discussão próxima com os municípios e garantindo que estamos a fazer o que é correto para a população”, afirmou.
A futura linha ferroviária, com cerca de 35 quilómetros, deverá ligar Felgueiras a Valongo, constituindo uma infraestrutura estratégica para uma região que concentra mais de 350 mil habitantes e cerca de 30 mil empresas.