No episódio especial do podcast “O Que Ninguém Te Conta Sobre Felgueiras”, Pedro Fonseca e João Carneiro analisaram a época 2024/2025 do Futebol Clube de Felgueiras, que terminou com um assinalável 9.º lugar na Segunda Liga, naquele que foi o primeiro ano do clube no escalão.
Pedro Fonseca recordou que, ainda antes da época começar, teve oportunidade de falar com Reinaldo Teixeira, presidente do clube, que estabeleceu como meta “o meio da tabela”. Para João Carneiro, essa previsão foi cumprida de forma exemplar. “Dar os parabéns à direção, o clube liderado por Reinaldo Teixeira e, claro, tenho que destacar também a Agostinho Bento. Estão altamente de parabéns, porque mais exato que não podia ser. Apontaram para o meio da tabela e foi mesmo ao meio”, afirmou, considerando que foi “uma excelente época de estreia” e acrescentando que “melhor não se podia pedir”.
Pedro Fonseca sublinhou que “é um motivo de orgulho para os felgueirenses termos o Futebol Clube de Felgueiras na Segunda Liga e até conseguir ficar no nono lugar”, reforçando que se tratou de um “lugar muito honroso” e que a equipa praticou um bom futebol.
Já sobre os jogadores que mais se destacaram ao longo da época, João Carneiro começou por mencionar Carlos Eduardo, o avançado que, mesmo saindo no mercado de janeiro, conseguiu terminar a época como o sexto melhor marcador da Segunda Liga. “Estava a fazer grande diferença. Em 13 jogos marcou 10 golos, o que realmente é de apontar, quase que chegava ali a um golo por jogo”, destacou. Ainda assim, reconheceu o mérito do treinador: “Perdeu-se o Carlos Eduardo, mas Agostinho Bento teve o mérito de ganhar uma equipa. Conseguiu que todos os outros jogadores começassem a fluir.”
Entre os nomes mais marcantes da temporada, João Carneiro destacou ainda Vasco Moreira, com sete golos, e descreveu-o como o “barómetro” da equipa. Acrescentou ainda os contributos de Léo Teixeira, João Santos e Guilherme Ferreira, este último apontado como “o bastião da defesa” após se afirmar como titular. “Quando Guilherme Ferreira assenta ali a titular, acho que o Felgueiras ganha muita estabilidade”, considerou.
O treinador Agostinho Bento, que ultrapassou os 100 jogos ao serviço do clube, também foi tema de destaque. Pedro Fonseca lembrou que houve momentos mais difíceis durante a época, marcados por críticas vindas especialmente das redes sociais. João Carneiro valorizou a postura do presidente: “Teve a sorte de ter um presidente como Reinaldo Teixeira, que nos momentos difíceis o segurou. Podia ter ido por um caminho mais fácil, que era deixá-lo cair, mas teve a coragem de o manter.” E destacou ainda a resposta do treinador: “Agostinho Bento respondeu com o que o caracteriza: ser muito determinado, dedicado, resiliente e com um foco muito grande na disciplina tática.”
Quanto à preparação da próxima época, João Carneiro considera essencial reforçar o setor defensivo, sobretudo o eixo central do lado direito. “Tem que se equilibrar o plantel, tem que haver uma mescla entre a experiência e a juventude.” E deixou um aviso: “Vamos ver se não vamos ser vítimas do nosso sucesso, porque os adeptos são exigentes e não vão querer ficar abaixo do nono lugar.”
Pedro Fonseca trouxe para a conversa alguns números da época: o Estádio Dr. Machado de Matos teve uma média de 1.434 espectadores por jogo, com um total acumulado de 24.383 ao longo da época. O relvado foi ainda considerado o décimo melhor da Segunda Liga, com uma pontuação de 3,61 em 5.
Na reta final do episódio, João Carneiro referiu que o Felgueiras ocupa atualmente a 13.ª posição em termos de valorização de mercado entre os clubes do campeonato. “Isto é um indicador que também nos dá o crescimento e o potencial do clube para o futuro”, afirmou, sublinhando a importância de continuar a apostar no desenvolvimento estratégico do clube.
Defendeu a necessidade de investir mais na formação, reforçando academias e criando parcerias com escolas e clubes da região. Elogiou também a renovação com a equipa técnica, que permite “uma continuidade de métodos de treino e filosofia de jogo”, além de destacar a importância de melhores infraestruturas, como camarotes para o público, um centro de recuperação para os jogadores e até um autocarro diferenciado. Para João Carneiro, é também necessário profissionalizar o scouting e assegurar um planeamento financeiro equilibrado. E deixou uma mensagem clara: “Temos que começar a trabalhar também a marca Felgueiras para valer ainda mais. A cidade tem que perceber que ter um clube numa liga profissional vale dinheiro. O futebol arrasta pessoas.”
Pedro Fonseca concordou e reforçou a importância da aposta na formação, revelando que essa é uma das áreas em que os responsáveis do clube têm intenção de investir. “De conversas que tenho tido, é uma das carências que sabem que têm e que estão a trabalhar no sentido de a colmatar.”
O episódio terminou com os agradecimentos de Pedro Fonseca a João Carneiro pela presença, e com a promessa de regressar em breve com mais uma edição do podcast dedicado a Felgueiras — e àquilo que, muitas vezes, ninguém conta.
Assista em baixo ao vídeo deste episódio do Podcast.