A Igreja de São Miguel, em Borba de Godim, Felgueiras, passou esta sexta-feira, 14 de novembro, a estar oficialmente em vias de classificação nacional, após publicação em Diário da República pelo Património Cultural.
A decisão resulta de um despacho emitido a 9 de outubro de 2025, que determina a abertura do procedimento de classificação da igreja paroquial da União das Freguesias de Vila Cova da Lixa e Borba de Godim. Com esta etapa, o imóvel passa a estar abrangido pelo regime legal de proteção previsto na Lei de Bases do Património Cultural, incluindo uma zona geral de proteção de 50 metros ao redor do edifício.
Um testemunho com quase 900 anos de história
A Igreja de São Miguel é um dos edifícios religiosos mais antigos do concelho e guarda quase nove séculos de história. A sua primeira referência conhecida surge em 1136, quando D. Afonso Henriques confirma os seus patronos, os descendentes de D. Analso, revelando que o templo já existia no primeiro século da nacionalidade. Nos séculos XIII e XIV, as inquirições gerais de 1258 e 1290 confirmam o padroado da igreja a famílias nobres locais, como os descendentes de D. Garcia Saz e Pedro Mendes de Vilar. Já no século XV, o patronato passa para Fernão Vasques da Cunha, alcaide de Celorico de Basto, na sequência da penhora dos bens de João de Burgos, senhor da Quinta de Borba.
Durante o reinado de D. Manuel I, em 1517, a igreja passa a integrar a Ordem de Cristo, por decisão do Papa Leão X e com autorização do Arcebispo de Braga. A estrutura original do edifício, de estilo românico tardio e provavelmente datável do terceiro quartel do século XIII, foi profundamente remodelada ao longo dos séculos seguintes, sobretudo no século XVII. No século XVIII, a igreja sofreu uma nova fase de expansão artística e arquitetónica: em 1766 foi construída a sacristia e renovado o teto, por iniciativa do boticário da Lixa, Manuel Dias Pereira; em 1767, a Capela de Nossa Senhora da Soledade foi adicionada ao lado norte da nave, destinada à sepultura da Casa do Outeirinho; e, entre 1786 e 1790, ergueu-se a atual torre sineira, cuja data permanece inscrita no lintel da porta.
O templo guarda ainda um acontecimento marcante da história nacional. Em 1834, após um confronto entre as tropas de D. Pedro e D. Miguel, no contexto das Guerras Liberais, foram ali sepultados dezassete soldados mortos na batalha, cujos corpos foram recolhidos desde a antiga capela da Franqueira até à Senhora Aparecida. Este episódio reforça o simbolismo histórico e memorial associado à igreja.
Um passo decisivo na preservação do património
Com o início do procedimento de classificação nacional, a Igreja de São Miguel passa a estar sujeita a regras específicas de salvaguarda, incluindo a proteção da envolvente e restrições quanto a intervenções estruturais ou urbanísticas.
O Município de Felgueiras vê assim reconhecido mais um elemento relevante do seu património, valorizando a identidade cultural e histórica da freguesia de Borba de Godim.