No Café Pardal, em Airães, o frango à paneleiro não precisa de grande apresentação. Chega à mesa inteiro, na pingadeira, dourado e com os sucos a marcar o prato, num daqueles aromas que anunciam o que vem a seguir: forno, tempo e técnica.
A primeira diferença está na matéria-prima. “O frango é caseiro”, ouve-se à mesa — e nota-se. Para quem está habituado ao frango de aviário, o contraste é evidente: sabor mais intenso, textura mais firme e um assado que se impõe sem precisar de “truques” para convencer.

Há, depois, um pormenor que eleva o prato: o recheio. A receita não é divulgada — “é segredo” — mas o impacto é claro. Dá profundidade ao sabor e acrescenta perfume e consistência, tornando cada garfada mais completa, como se o trabalho não estivesse apenas na pele dourada, mas também no interior.
Outro ponto a favor é a suculência. Mesmo o peito, onde muitos assados falham, mantém-se húmido e macio, no ponto certo, sem secura e sem esforço.

Nos acompanhamentos, a escolha é clássica e eficaz: arroz branco, batata assada e grelos. Estes últimos mereceram elogios, pelo tempero equilibrado e pelo contraste que ajudam a criar, a “limpar” o palato e a equilibrar o conjunto, sem roubar protagonismo ao frango.

Antes do prato principal, há entradas que dão um bom arranque à refeição. Os rissóis destacam-se pela massa e pelo recheio, o presunto aparece com sabor e cura bem marcada e os rolinhos de camarão cumprem com segurança.
Para acompanhar, o vinho verde da casa, produzido em Felgueiras, encaixa com naturalidade: leve, fresco e pensado para um prato de forno que pede mesa demorada e conversa sem pressa.

No final, a sobremesa segue o registo dos clássicos: bolo de bolacha, “nunca falha”. E ajuda a fechar a refeição com a simplicidade de quem sabe que, num bom prato, o essencial é mesmo o sabor.
Se ainda não provou, fica o desafio: já provou o frango à paneleiro no Café Pardal? Aqui, a resposta tende a ser sempre a mesma — volta-se.