Mahayla Haddad percorre o concelho à descoberta do Pão de Ló de Margaride, do bordado tradicional, do filé e dos trilhos do Vale do Sousa.
A Record Europa transmitiu, no passado dia 26 de setembro, o episódio 17 do programa Giro, dedicado a Felgueiras, no qual a apresentadora Mahayla Haddad percorre o concelho à descoberta de sabores tradicionais, artesanato, património e trilhos que revelam a identidade do Vale do Sousa.
No centro da cidade, os Paços do Concelho e outros edifícios históricos ajudam a contar parte do passado de Felgueiras, mas a reportagem sublinha que a identidade do concelho “vai muito além do património arquitetónico”, estando também presente na gastronomia, no artesanato, na agricultura e nos caminhos rurais.
Um dos destaques do episódio é o Pão de Ló de Margaride, cuja receita remonta a 1730, com a produção a começar no atual edifício da fábrica em 1900. Segundo a reportagem, a tradição ganhou notoriedade ainda no século XIX, quando a casa passou a ser fornecedora da Casa Real Portuguesa. A receita é composta por ingredientes simples, como ovos, açúcar e farinha, mas a preparação exige experiência e atenção, sendo a massa colocada em formas de barro revestidas com papel e cozida num forno que pode atingir os 280 graus. A mesma casa produz também as tradicionais cavacas de Margaride, cuja cobertura de açúcar continua a ser aplicada manualmente. Por costume, o pão de ló come-se sem faca, retirando cada pessoa um pedaço diretamente com as mãos, acompanhado de um cálice de vinho do Porto ou, nos dias mais quentes, de vinho verde fresco.
O programa dá ainda destaque ao Bordado Terra de Sousa, preservado na Casa do Risco. O próprio nome revela uma das etapas fundamentais do processo, já que, antes de começar o bordado, o desenho é riscado no tecido. Muitas das artesãs aprenderam a técnica ainda em crianças, acompanhando mães e familiares que trabalhavam em casa. As peças são feitas em linho e podem apresentar motivos florais, crivos e diferentes pontos tradicionais, podendo uma única toalha reunir várias técnicas e exigir muitas horas de trabalho. Um dos elementos particulares deste método é a utilização do chamado papelão, normalmente feito com revistas ou jornais, em vez de um bastidor convencional, técnica que permite trabalhar com as duas mãos e controlar melhor cada ponto.
A gastronomia local é também retratada num restaurante tradicional do concelho, onde a refeição pode começar com especialidades como presunto, polvo com molho verde, frango frito e ovos rotos. Entre os pratos principais, destacam-se o bacalhau à Felgueiras e o polvo à lagareiro, terminando a refeição com pão de ló de Margaride, cavacas, leite-creme e pudim.
Para quem procura conhecer a natureza de Felgueiras, o trilho da Levada de Jugueiros oferece um percurso circular com cerca de dez quilómetros, numa zona ligada aos rios Bugio e Ferro e à atividade agrícola. O percurso permite conhecer uma paisagem marcada pela vegetação ribeirinha, moinhos, açudes, pontes e pequenas quedas de água, exigindo alguma preparação física, sobretudo nas zonas mais exigentes.
O episódio dá ainda a conhecer o filé de Felgueiras, técnica artesanal inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. O trabalho começa pela construção manual da rede, num processo que exige precisão e paciência, a partir do qual as artesãs desenvolvem diferentes padrões e desenhos, utilizando técnicas tradicionais transmitidas ao longo de gerações. A certificação assume um papel importante na preservação desta arte, garantindo a autenticidade das peças.
O percurso encerra no Monte de Santa Quitéria, a cerca de 500 metros de altitude, que oferece uma vista ampla sobre Felgueiras e a região do Sousa, sendo também procurado para passeios e momentos de descanso.