O mais recente episódio do podcast «Aquilo que ninguém te conta sobre Felgueiras!» trouxe para cima da mesa um tema que já se sente no dia a dia: o impacto que as novas lojas, localizadas no Nova Terra Retail Park e no Retail Center Felgueiras, estão a ter no comércio local, em plena época de Natal, e a forma como a cidade se está – ou não – a recentrar.
Pedro Fonseca abriu a conversa: “A minha opinião é que estas novas lojas, são muito positivas para Felgueiras, são muito positivas para os consumidores”. Para o economista e diretor do Felgueiras Magazine, a instalação recente de cadeias como a JOM, a Action, a Rádio Popular ou a JYSK, é “sinal de que Felgueiras é atrativa para investimento e tem massa crítica suficiente para que grandes marcas apostem no concelho”.
Entre as vantagens, Pedro Fonseca destacou, desde logo, o fator preço. “Em primeiro lugar, pelos preços mais baixos em muitos produtos (…) graças a economias de escala”, sublinhou, lembrando que, em tempo de Natal, isso é particularmente evidente em áreas como brinquedos, eletrodomésticos ou artigos de decoração.
A dimensão das lojas é outro argumento a favor. “Sendo lojas grandes a nível de área, há mais variedade de produtos num só espaço, o que é bom para o consumidor”, apontou. E há ainda a questão do acesso: “Há possibilidade de acesso a marcas e artigos que nós aqui em Felgueiras antes não tínhamos e tínhamos que recorrer a Guimarães ou Porto ou Braga para poder comprar”.
Os horários mais alargados e a capacidade de atrair consumidores de concelhos vizinhos completam a lista de vantagens. “Podem atrair pessoas também de concelhos vizinhos, aumentando o consumo global no concelho de Felgueiras”, sintetizou.
Mas o episódio não se ficou pelo lado cor-de-rosa. “Também tem desvantagens”, avisou. Desde logo, a pressão sobre a qualidade: “Pode haver tendência para desvalorizar a qualidade do produto em função do preço”. No plano laboral, deixou um alerta: “Em muitos casos, os empregos criados são com salários baixos, horários por turnos e uma grande rotatividade no trabalho”.
Há ainda uma dimensão económica menos visível, mas relevante: “Uma parte significativa dos lucros é canalizada para fora do concelho, para as sedes das empresas”. E, em contraste, lembrou que “o comércio local tende a reinvestir mais na economia local”, recorrendo a fornecedores da região, a serviços como contabilistas, empresas de limpeza ou publicidade na imprensa local.
No plano urbano, a preocupação é clara: “Podem esvaziar ainda mais o centro das cidades”, reforçou, lembrando que estas novas superfícies não se localizam no coração da cidade de Felgueiras, num momento em que o concelho procura precisamente atrair mais pessoas para o centro.
Ainda assim, Pedro Fonseca recusa a visão fatalista e fala em oportunidades. “Pode forçar, de alguma forma, o comércio local a modernizar-se e a ser mais eficiente, melhorar o atendimento, digitalizar, usar as redes sociais, o marketing digital, apostar na diferenciação”, defendeu. Há espaço para nichos complementares, para produtos que as grandes superfícies “não têm ou não valorizam” e para uma identidade própria, com “produtos de gama premium” e “marcas exclusivas”.
Acima de tudo, há algo que os grandes formatos não conseguem replicar. “As grandes lojas têm processos massificados, não têm a proximidade humana que é muito característica do comércio local e que pode ser de facto uma grande arma do comércio local para fazer face a estas superfícies”, rematou.
Por seu lado, António Faria reconheceu o impacto ambivalente. “É óbvio que traz muitas vantagens e também traz algumas desvantagens para o comércio local este aparecimento de grandes superfícies no nosso concelho”, admitiu. Mas lembrou a resiliência felgueirense: “Felgueiras sempre foi uma terra de pessoas que souberam lutar contra as adversidades (…) e eu penso que é isso que o comércio local irá fazer”.
O ex-deputado sublinhou o papel da qualidade como fator diferenciador. “Muito daquilo que compramos nessas lojas não é produto de qualidade, é produto barato, mas não é de qualidade. Portanto aquilo que os comerciantes têm que fazer em Felgueiras é apostar nessa qualidade”, defendeu, traçando um paralelo com a indústria do calçado, que já passou por muitas fases menos boas: “Fomos sempre sobrevivendo e melhorando e aperfeiçoando e por isso é que hoje ainda somos uma terra que é a capital do calçado”.
No episódio, houve também espaço para olhar o centro da cidade e as políticas públicas. Pedro Fonseca sugeriu “políticas que favoreçam que as pessoas vão para os centros da cidade” e uma maior articulação entre Câmara, associações empresariais e comércio local, aproveitando e alargando protocolos já existentes com a Associação Empresarial de Felgueiras.
A conversa avançou depois para o segundo tema: o programa de Natal. “Está aberta a época natalícia”, assinalou António Faria, lembrando a inauguração da iluminação de Natal e “um programa vasto” que se prolonga até janeiro. “Estava muita gente a assistir à inauguração da iluminação de Natal, até penso que mais do que aquilo que era costume”, observou.

O comentador considerou a programação de Natal de Felgueiras “rica, e com muita prata da casa”, destacando academias de dança, escolas de música e artistas locais. Ainda assim, deixou uma reserva quanto à passagem de ano: “Acho que faltou ali, para a passagem de ano, algo que tivesse um ponto mais alto (…) temos anunciado DJs, quando costumava haver um concerto”.
Uma das novidades é a mudança da Praça de Natal para as Portas da Cidade. “A tenda é bem grande”, descreveu, antecipando “um mercado de Natal mais concorrido e até uma programação mais abrangente”, com showcookings e demonstrações de doces típicos da região. “Fica o convite para todos: irem à Praça de Natal, assistir à programação e ver de perto aquilo que melhor se faz em Felgueiras”, resumiu.
O episódio terminou com um duplo convite. António Faria, que foi recentemente eleito Presidente da Assembleia Municipal, chamou os felgueirenses à próxima sessão da Assembleia Municipal, a 22 de dezembro, e deixou votos de “um santo e feliz Natal e um excelente ano de 2026 para todos os felgueirenses”. Pedro Fonseca subscreveu: “Um feliz Natal para todos com muita saúde” – e a promessa de voltar em breve com mais um episódio de «Aquilo que ninguém te conta sobre Felgueiras!».