A história da Quinta da Lixa cruza-se com a experiência de vida de Óscar Meireles, que desde jovem acompanhou o pai no contacto com os lavradores da região. Dessa vivência nasceu a relação com o vinho que, anos mais tarde, o levaria a integrar e a impulsionar o projeto que hoje lidera. Os primeiros passos foram marcados por dificuldade: máquinas em segunda mão, pouco capital e juros pesados. A construção da adega em 1992 marcou o início de uma nova fase, permitindo à empresa ganhar escala e afirmar-se no mercado.
- Origens: O Vinho Como Linguagem Familiar
- Construção da Adega de 1992: O Primeiro Passo Estrutural
- Os Primeiros Anos: Entre a Ambição e a Adversidade
- A Criatividade de Uma Noite: O Tal da Lixa
- O Salto para o Enoturismo: A Construção do Monverde
- A Sustentabilidade Como Pilar Estratégico
- A Transformação do Vinho Verde: Tradição, Modernidade e Mercado
- O Papel na Comissão dos Vinhos Verdes: Liderança e Serviço
- O Sentido do Trabalho: Responsabilidade Social, Dificuldades, Conquistas e Legado
Com o tempo, a visão de Óscar Meireles expandiu-se também ao enoturismo. Em 2015 nasceu o hotel Monverde, hoje uma referência internacional e um dos maiores motores de valorização dos Vinhos Verdes. A aposta na sustentabilidade e a modernização das vinhas consolidaram ainda mais o percurso da empresa.
Esse trabalho valeu reconhecimentos importantes: Óscar Meireles foi distinguido como “Personalidade do Ano” pela Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria do Rio de Janeiro, enquanto a Quinta da Lixa, entre outros, recebeu o prémio de “Empresa do Ano 2022” na Revista de Vinhos.
Origens: O Vinho Como Linguagem Familiar
A ligação de Óscar Meireles ao vinho é anterior à empresa, à adega e até ao início da sua vida profissional. “A minha ligação vem do meu pai”, disse na conversa com Pedro Fonseca, diretor do Felgueiras Magazine, numa tarde silenciosa na adega da Quinta da Lixa. Foi ele quem o levou, ainda adolescente, às quintas da região, onde observava os lavradores apresentarem o seu vinho com uma vaidade natural — uma espécie de competição silenciosa que fazia parte da cultura local. “Mais de 90% do vinho era vinificado em cada quinta”, recorda. “Cada lavrador tinha a vaidade de mostrar que o seu vinho era melhor que o do vizinho.”
Nesses anos, não provava — não tinha idade — mas assistia. Aprendeu a distinguir gestos, rituais, humores. E, como ele próprio admite, o “bichinho” ficou. Mais tarde, o irmão arrastou-o definitivamente para o setor, já através de um projeto embrionário: a Soporvin.
A Soporvin — Sociedade Portuguesa de Vinhos — foi a primeira tentativa da família Meireles de estruturar um negócio próprio na área. Era uma empresa modesta, criada por três irmãos, que funcionava num pavilhão limitado, com pouco equipamento e muitos improvisos.
Nessa fase inicial, Óscar ainda não fazia parte do projeto. Trabalhava numa grande empresa da Lixa do setor dos vinhos, onde diz “ter aprendido muito”. Mas não demoraria até que o chamassem — primeiro para apoiar, depois para integrar, finalmente para liderar. Como contou, “isto veio tudo por arrasto”.
A Soporvin seria, assim, uma espécie de rascunho daquilo que mais tarde se tornaria a Quinta da Lixa: uma empresa familiar com ambição industrial, mas ainda sem identidade própria. Um espaço demasiado pequeno para a visão que crescia dentro da família e, especialmente, dentro de Óscar Meireles.
No entanto, o percurso não foi linear. “Nos meus inícios era um bocadinho rebelde”, explica. Antes de se fixar nos vinhos, tentou pequenos negócios: distribuição de pesticidas, criação de frangos, experiências que não lhe trouxeram estabilidade nem realização. O vinho acabou por ser o caminho que o agarrou com sentido.

Construção da Adega de 1992: O Primeiro Passo Estrutural
Quando Pedro Fonseca perguntou por que razão a adega inaugurada em 1992 permanece como um marco estrutural da empresa, Óscar Meireles não hesitou: “Foi muito importante. Eu queria condições de trabalho e não tínhamos.” A construção de uma adega moderna possibilitou, pela primeira vez, sustentar crescimento.
O projeto evidenciou algo que se tornaria habitual nas décadas seguintes: a visão de Óscar era frequentemente maior do que o espaço desenhado. “Mostraram-me a planta e disseram que chegava. Para mim, não.” A adega ficou pequena logo nos primeiros anos, e a empresa passou a viver ciclos sucessivos de expansão: mais pavilhões, mais capacidade, mais tecnologia.
Nos dias de hoje, essa expansão trouxe um novo tipo de dilema — estratégico, e não apenas operacional. O setor mudou profundamente. “O consumo está a baixar e o consumidor procura vinhos premium, não quantidade. Temos de repensar se vamos crescer ou estagnar e apostar mais em vinhos premium, não na quantidade.”
O que Óscar Meireles descreve, na verdade, é uma encruzilhada para a Quinta da Lixa e para muitos outros produtores: continuar a aumentar a produção, com risco de saturação e pressão de preços, ou apostar numa qualificação da oferta, com vinhos de maior valor acrescentado, tirando partido das castas, da localização e da reputação crescente dos Vinhos Verdes.
A Quinta da Lixa encontra-se precisamente nesse ponto. Crescer fisicamente implicaria investimento elevado, novas infraestruturas e maiores custos de operação. “Estamos a sofrer um bocadinho por espaços — dores de crescimento”, admite. Mas crescer para fazer o mesmo vinho em maior escala talvez já não faça sentido num mercado que está a premiar diferenciação e não volume.
A alternativa é clara: consolidar o que existe, qualificar a produção, reforçar marcas e investir em vinhos premium, área onde a região tem hoje um potencial enorme, graças a castas como Alvarinho, Loureiro ou Avesso, e graças às condições naturais que conferem frescura — atributo cobiçado no mercado internacional.
Os Primeiros Anos: Entre a Ambição e a Adversidade
O início da produção própria foi marcado por episódios que hoje parecem quase inverosímeis. Quando Pedro Fonseca perguntou pelas histórias daqueles anos, Óscar não hesitou. “Começar do zero trouxe constrangimentos, tristezas e algum desânimo.” Abandonar um cargo confortável noutra empresa — com carro e ordenado compatível — para entrar num projeto frágil foi um salto de fé.
Montar a primeira linha de engarrafamento com máquinas em segunda mão, que frequentemente avariavam, tornou-se rotina. “Quando mais precisava, menos funcionava.” Por vezes é preciso “dormir, refletir, recomeçar. No outro dia o sol nasce outra vez.”
Os constrangimentos financeiros foram ainda mais severos. Óscar Meireles descreveu o momento mais difícil da sua carreira: pagar juros a 32% “à cabeça”. “Lá fora, quando conto isto, dizem que é impossível termos sobrevivido.” Mas sobreviveram, apoiados numa equipa pequena mas fiel e em sócios que, embora não executivos, acompanhavam o esforço.
“Passei por alturas menos boas e outras com alegria, mas com colaboração dos meus sócios — que não eram executivos — e dos colegas, conseguimos vencer. Hoje estamos bem. Com dificuldades, como todas as empresas, mas bem”, salienta.
“Tenho uma virtude: o que faço com gosto tem de funcionar”, diz. É talvez a melhor síntese do período. O trabalho foi mais forte do que as dificuldades, e assim se consolidou o alicerce do que viria depois.

A Criatividade de Uma Noite: O Tal da Lixa
Poucos vinhos em Portugal têm uma história tão singular como O Tal da Lixa. Quando Pedro Fonseca perguntou pela génese da marca, Óscar sorriu com a naturalidade de quem transporta uma memória fundadora. A criação não foi um ato de marketing, mas de sobrevivência. “Foi numa época muito difícil de venda de vinho. Precisava de vendas, tinha investimentos grandes.”
Numa noite mal dormida, pensou em replicar aquilo que o pai fazia: engarrafar vinho em casa, reaproveitar garrafas de espumante, permitir que o vinho fizesse a segunda fermentação na garrafa — a malolática — e criar o tal “piquinho” que os clientes da região tanto apreciavam. “Havia disputa no Porto por aquele vinho da Lixa. Pediam o tal da Lixa, o tal da Lixa.” O nome estava criado antes do rótulo.
O desafio seguinte foi encontrar garrafas mais leves que as de espumante, e, consequentemente, mais baratas. As vidreiras nacionais não aceitaram fazer o modelo e quantidades que pretendia. Óscar Meireles foi a Espanha e, num gesto que mistura ousadia e risco, comprou dez camiões de garrafas numa única reunião. “Ao descarregar, pago”, disse. E pagou.
O sucesso do O Tal da Lixa foi imediato. Dois anos depois, eram as vidreiras nacionais que vinham ter com ele, prontas a produzir a garrafa desejada, que foi exclusiva da Quinta da Lixa durante três anos. A marca ganhou uma identidade tão forte que, hoje, até os importadores pressionam para tê-la nos seus mercados — apesar de alguns países taxarem o vinho pelo tipo de fecho, como se fosse um espumante.
“Para mim, representa muito”, resume. O Tal da Lixa não é apenas um vinho: é testemunho de criatividade, memória e coragem.
O Salto para o Enoturismo: A Construção do Monverde
A segunda grande transformação da Quinta da Lixa surgiu a partir de uma pergunta sobre enoturismo. Óscar Meireles já conhecia o que se fazia noutras regiões do mundo e acreditava que a região dos Vinhos Verdes teria de seguir esse caminho. “O enoturismo lá fora já era um marco. Aqui ainda era tudo muito rudimentar.”
Quando a empresa adquiriu a Quinta de Sanguinhedo, começou por imaginar um espaço simples, de acolhimento familiar. Mas depressa percebeu que seria apenas mais uma oferta semelhante a tantas outras. Era preciso criar algo distintivo — não só para a empresa, mas para a região.
Assim nasceu o Monverde Wine Experience Hotel, inaugurado em 2015. Pedro Fonseca perguntou como surgiu a ideia, e Óscar Meireles descreveu o projeto como um movimento natural: “um hotel que dignifique a Quinta da Lixa e abrace a região. O hotel nasce num todo: Quinta da Lixa primeiro, mas também a região”.
O hotel cresceu de 30 quartos para uma dimensão maior, ganhou spa, restaurante e renome internacional. Hoje recebe clientes de todo o mundo. “Costumo dizer que é a minha pérola.” O projeto não isolou a empresa; abriu portas a colegas produtores da região que apresentam vinhos e realizam jantares vínicos no espaço.
O enoturismo representa já 20% das vendas nacionais de vinho, um número que surpreendeu até o próprio setor. Óscar Meireles acredita que este caminho é decisivo para a região e que grandes cadeias que investem nos Vinhos Verdes o fazem com plena consciência das oportunidades.
A Sustentabilidade Como Pilar Estratégico
Quando Pedro Fonseca introduziu o tema da sustentabilidade, Óscar Meireles respondeu com a convicção de quem vê o tema como inevitável. “É responsabilidade de todos. Nunca podemos dizer que está concluído.”
A Quinta da Lixa certificou as suas vinhas, reduziu drasticamente o peso das garrafas — de 820g para cerca de 470–500g — alterou tintas, caixas, processos, diminuiu consumos de água e investiu em energia solar. Agora prepara a instalação de baterias para autoprodução estável. “Os inícios são duros. Há hábitos que têm de mudar.”
No mercado nacional, a valorização da sustentabilidade ainda é moderada. Mas no internacional, é central. “Lá fora já valorizam muito. E estamos a ser obrigados a colocar certificação nos rótulos.”
O setor, acredita, ainda está a iniciar um caminho que será obrigatório. “É um trabalho constante.”
A Transformação do Vinho Verde: Tradição, Modernidade e Mercado
Ao falar sobre a evolução do Vinho Verde, Óscar Meireles recuou a uma imagem simples, mas reveladora da cultura de consumo de vinho nas décadas passadas. Recordou as idas a Lisboa, onde se surpreendia com a forma como o vinho era servido à mesa. “Em Lisboa, uma garrafa dava para seis ou sete pessoas. Era um bocadinho de vinho, água, vinho, água…, só para acompanhar”, explicou.
Depois comparou esse cenário com a realidade da região dos Vinhos Verdes. “Aqui consumia-se vinho a sério”, disse, com humor. “Meia garrafa por pessoa era normal. Não era exagero — era o hábito.”
Essa diferença tinha uma explicação prática. “Os vinhos tinham 7 ou 8 graus. Eram leves, eram frescos, não tinham o peso que têm hoje”, acrescentou. O vinho fazia parte do quotidiano: bebia-se mais quantidade, com menos impacto alcoólico. “O vinho era do dia a dia. Fazia parte da mesa e do trabalho”, resume.
Óscar Meireles explica que “agora, tudo isso mudou. Desde a proibição do álcool no trabalho — porque os nossos operários, seja da construção civil, seja da metalomecânica ou outra área, era, no mínimo, meia garrafinha ou uma garrafinha. Também tinha pouco álcool, aquilo compensava uma coisa com a outra. Mas isso também acabou, não é?”
Mas o vinho era ácido, frágil, agrícola na forma e no sabor. Era vinho de sobrevivência, não tanto de mercado. O programa VITIS alterou a paisagem vinícola: reconverteu vinhas, redesenhou plantações, valorizou castas autóctones e permitiu vinhos mais equilibrados.
Hoje, o Vinho Verde é um produto moderno, fresco, desejado e exportado. Tem versões premium com teor alcoólico mais elevado, mais complexidade e capacidade de envelhecimento — algo impensável há décadas.
Mas há um problema estrutural que o setor enfrenta: a perceção do consumidor sobre o que é — e o que deve ser — um Vinho Verde. Durante décadas, grande parte do público habituou-se à ideia de que Vinho Verde é, obrigatoriamente, um vinho com gás natural ou com a sensação de ligeira efervescência. Essa característica tornou-se tão enraizada que muitos consumidores rejeitam automaticamente um vinho que não tenha essa frescura borbulhante.
“Temos clientes que nos dizem: ‘Se não tiver gás, não é Vinho Verde’”, contou Óscar Meireles. “É a imagem que ficou no imaginário de muita gente.”
O problema é que, hoje, a região produz dois perfis distintos: os Vinhos Verdes clássicos — leves, frescos, por vezes com gás — e os novos vinhos premium, mais complexos, estruturados, pensados para envelhecer e que têm pouco ou nenhum gás. São dois produtos diferentes, mas ambos são legítimos Vinhos Verdes.
É aqui que surge o dilema.
“O que está a acontecer hoje é o consumidor ir ao supermercado a pensar que vai comprar uma coisa e levar outra — mesmo que seja de qualidade superior, não era aquilo que ele queria”, explicou. Ou seja: o consumidor não está a ser enganado na qualidade, mas sim surpreendido por um estilo que não corresponde às suas expectativas.
A solução passa por clarificar, de forma inequívoca, os dois segmentos. “Temos de diferenciar, nomear, identificar bem. Sem isso, defraudamos o consumidor sem querer”, diz Óscar Meireles.
A Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes trabalha há vários anos numa categorização formal entre “clássicos” e “premium”. “Somos muitos produtores, muitas sensibilidades, e é difícil chegar a um consenso”, admite. “E depois é preciso pedagogia. É preciso ensinar o consumidor.”
O futuro da região depende, em parte, desta clareza: explicar que o Vinho Verde pode continuar a ser o vinho leve e fresco que todos conhecem… mas pode também ser um vinho de guarda, complexo, gastronómico e sem gás. São dois caminhos, não uma contradição.

O Papel na Comissão dos Vinhos Verdes: Liderança e Serviço
Óscar Meireles é, desde 2019, vogal da direção da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, depois de muitos anos como conselheiro. Quando Pedro Fonseca perguntou como surgiu este desafio, a resposta foi honesta. “Em 2017 e 2018 não tinha condições para aceitar. Tinha problemas familiares e a empresa não estava organizada.” Em 2019, tudo mudou.
“Abracei o projeto em 2019, com o intuito de contribuir com aquilo que sei. Fui para servir, e as coisas têm funcionado bem”, conta.
O mandato com o antigo presidente, Manuel Pinheiro, foi marcado por proximidade. A convivência com a atual presidente, Dora Simões, já vai no segundo mandato. “Estamos a fazer coisas muito interessantes. Estamos no bom caminho.”
A região, acredita, é uma das mais bem organizadas do país. Tem laboratórios certificados, equipas técnicas robustas, departamentos cada vez mais profissionalizados. E enfrenta desafios globais, como as tarifas americanas impostas por Donald Trump, que aumentaram custos e exigiram estratégias alternativas.
“O consumo baixou um pouco, mas não é preocupante para o Vinho Verde”, diz. O futuro passa por alargar mercados, investir em países menos maduros e reforçar a presença internacional.
O Sentido do Trabalho: Responsabilidade Social, Dificuldades, Conquistas e Legado
A responsabilidade social surge, para Óscar Meireles, não como um capítulo complementar da história da Quinta da Lixa, mas como parte essencial da sua identidade. “Desde o início tivemos um compromisso e uma responsabilidade social no território onde estamos”, disse. “Nós queremos a Quinta da Lixa com uma cultura de responsabilidade social – seja no apoio às IPSS, ao desporto ou às pessoas mais carenciadas — tentamos sempre ajudar dentro do que é razoável e possível.”
Quando a conversa avançou para o balanço de décadas de trabalho, Pedro Fonseca perguntou-lhe qual tinha sido o momento mais gratificante. Óscar Meireles não hesitou: “Ver a qualidade dos nossos vinhos reconhecida. Isso é uma grande satisfação, para mim e para toda a equipa.” Não falou em prémios nem em vendas; falou em reconhecimento do trabalho, da evolução, da consistência. A qualidade final é mais do que resultado: é recompensa.
Depois, a pergunta mudou de direção: que conselho daria ao jovem Óscar que, há quarenta anos, começava quase do zero? Houve um breve silêncio. “Que fizesse aquilo de que gosta. Sempre.”
E desenvolveu: “Quem faz aquilo de que gosta está mais preparado para os contratempos. Aguenta melhor. Entende melhor por que está ali.” É essa filosofia que tenta transmitir às filhas e à equipa. Não como slogan, mas como prática diária. Fazer o que se gosta, diz, não garante facilidade — mas torna o percurso menos pesado.
A filha Diana Meireles, hoje integrada na empresa, representa parte desse legado futuro. Quando Pedro Fonseca perguntou que conselho lhe deixaria se um dia ela assumisse a liderança da Quinta da Lixa, a resposta de Óscar foi simples, mas carregada de sentido.
“Que continue o trabalho que nós fizemos. Que honre o nome da família e da Quinta da Lixa.” E acrescentou algo que considera essencial: “Que nunca esqueça a responsabilidade social que temos aqui na zona. Isso é tão importante como fazer bom vinho.”
E quando chega a última pergunta — Se tivesse de brindar agora, a quem ou a que brindava? — a resposta não é sobre si, nem sobre a família, nem sobre a empresa. “Brindava a todos os viticultores nacionais”, disse com serenidade.
Justificou de imediato: “Porque muitos estão a sofrer. É a eles que devemos o vinho.”
Foi a resposta mais despretensiosa de toda a entrevista — e talvez a mais reveladora.