Felgueiras volta a ter cinema. Após vários anos sem sessões regulares, o concelho celebra o regresso desta valência cultural com a exibição da estreia mundial de “Missão Impossível: O Ajuste de Contas Final”, no emblemático Teatro Fonseca Moreira (Casa das Artes), dia 22 de maio, às 21h30. Outras exibições estão agendadas para os dias 23 de maio, às 21h30, e 25 de maio, às 16h00.
“O cinema está de volta no sítio do costume. O Teatro Fonseca Moreira.” A frase simboliza não só o regresso de uma atividade há muito desejada pela comunidade, como também a revalorização de um espaço carregado de memórias. O Teatro Fonseca Moreira, hoje integrado na Casa das Artes de Felgueiras, foi durante décadas o principal ponto de encontro cultural da cidade, sobretudo pela exibição regular de filmes que marcaram gerações.
Inaugurado oficialmente a 20 de fevereiro de 1921, o teatro é fruto do sonho de António José de Fonseca Moreira, um felgueirense autodidata que fez fortuna no Brasil e regressou à sua terra natal movido por uma paixão pelas artes. Nos seus tempos áureos, o espaço foi apelidado de “fábrica de sonhos”, pelo impacto que teve junto da população local.
Foi ali que se assistiram, pela primeira vez em Felgueiras, aos filmes sonoros e às fitas em tecnicolor. A década de 1940 ficou marcada por importantes obras de remodelação que modernizaram o espaço e prepararam o palco para uma reabertura em grande, em 1949, com o filme “A Morgadinha dos Canaviais”, que contou com cenas filmadas na Casa de Sergude, também em Felgueiras.
Durante os anos 1950, o teatro foi dotado de tecnologia sonora avançada e de equipamentos de projeção de última geração, o que lhe permitiu manter sessões regulares até ao início dos anos 1990, altura em que entrou num longo período de inatividade. A recuperação do espaço começou em 1997, pela mão da Câmara Municipal de Felgueiras, que o classificou como imóvel de interesse público. A sua reabertura como Casa das Artes aconteceu em 2011, após profunda requalificação, e o espaço tem desde então acolhido concertos, teatro, exposições e agora, novamente, cinema.