Durante 16 anos, Marco Silva foi rosto e voz da governação local em Macieira da Lixa e, depois, na União de Freguesias de Macieira da Lixa e Caramos. Impedido pela limitação de mandatos de se recandidatar em 2025, deixa um legado feito de quilómetros de estrada pavimentada, avanços no saneamento, equipamentos estruturantes e muitas horas roubadas à vida familiar. Nesta entrevista ao Felgueiras Magazine, faz o balanço político e humano do percurso, reconhece promessas adiadas e explica porque continua a ver o cargo de autarca como “um exercício de confiança”.
Que balanço faz destes 16 anos à frente, primeiro da Junta de Freguesia de Macieira da Lixa e depois da União de Freguesias de Macieira da Lixa e Caramos?
Faço um balanço de muito trabalho, persistência e resultados visíveis. Ao longo de quatro mandatos priorizámos a melhoria das condições de vida da nossa população, infraestruturas, associativismo, espaços públicos e serviços básicos, sempre com atenção a uma gestão financeira responsável. Houve erros e limitações, naturalmente, mas acredito que deixámos Macieira da Lixa e Caramos mais organizada, mais desenvolvida e com melhores respostas às necessidades da população.
Tenho muito orgulho no meu trabalho e na minha equipa ao longo destes anos de gestão autárquica.
A rede de saneamento é uma preocupação em boa parte do concelho de Felgueiras, e em Macieira da Lixa e Caramos não é exceção. Como tem evoluído a taxa de cobertura nesta União de Freguesias? Sendo uma competência da Câmara Municipal, que papel desempenhou, enquanto presidente de Junta, para que a rede fosse ampliada o mais possível?
A cobertura de saneamento tem evoluído gradualmente: em Macieira da Lixa, quando entrámos, não havia um metro de saneamento e hoje, felizmente, já temos quilómetros. Em breve irá começar uma nova empreitada para a ampliação da rede existente.
O grande problema da rede de saneamento em Macieira é a construção do emissário, que tem custos avultadíssimos, na ordem dos seis milhões de euros, e tanto a União de Freguesias como a Câmara estão a fazer todos os possíveis para que as Águas do Norte o executem, para que a Câmara continue a ampliação da rede em baixa, conforme o Plano 20/30.
Em Caramos, temos atualmente cerca de 45% de taxa de cobertura, estando a iniciar-se um novo procedimento, nomeadamente para a ligação da rede que se encontra em seco.
A requalificação da rede viária foi uma das prioridades dos seus mandatos. Macieira da Lixa e Caramos têm hoje melhores estradas?
Nestes mandatos fizemos o maior investimento de sempre, em conjunto com o Município, na requalificação e pavimentação da rede viária. Os contratos interadministrativos, criados pelo executivo liderado por Nuno Fonseca, foram fundamentais para o nosso sucesso. Hoje posso afirmar que ninguém na nossa União tem necessidade de passar num caminho de terra batida para chegar a casa.
Somos das freguesias que têm a melhor rede viária do concelho.
O Parque de Lazer de Macieira da Lixa foi a principal obra dos seus mandatos?
Foi uma das principais, mas não posso esquecer a Capela Mortuária de Macieira da Lixa, a requalificação da Rua de Santa Marta, a requalificação do Largo da Boa Viagem, a requalificação do Largo de S. Roque, o pagamento da dívida que herdámos na Freguesia de Caramos, a requalificação do Largo do Cruzeiro e da Rua das Hortas e outras tantas que fizemos.
Há alguma promessa que tenha feito e que não conseguiu cumprir?
Houve promessas que ficaram adiadas por falta de financiamento, por processos burocráticos ou por dependência de decisões de instâncias superiores. Não gosto de desculpas, por isso assumo que nem tudo foi cumprido na calendarização que eu desejava. Alguns projetos de expansão de infraestruturas e equipamentos ficaram para depois. Mantive sempre a transparência com a população sobre as razões.
Saio de consciência tranquila, dei sempre o máximo de mim e sei que a minha equipa fez o mesmo.
Que obra não fez, mas que gostava de ter feito?
Gostaria de ter conseguido avançar mais rapidamente com a cobertura total do saneamento em Macieira da Lixa e Caramos e com a construção de passeios na EN-101-4 e na EN 101, em Caramos.
Quando olha para trás, qual foi o momento mais marcante destes 16 anos?
Há vários, mas um dos mais marcantes foi a resposta comunitária e institucional durante a pandemia da COVID-19, momento muito difícil. Tivemos de tomar decisões e de apoiar as nossas populações num momento muito complicado e atípico, que colocou à prova todos.
Ser presidente de Junta é muitas vezes um cargo de sacrifício pessoal. O que é que mais lhe custou, a nível pessoal ou familiar, ao longo destes mandatos?
Ser presidente de Junta exige disponibilidade constante, fins de semana, noites e decisões que nem sempre agradam. Foi difícil conciliar horas de família com compromissos públicos; isso pesa nos laços pessoais. A minha esposa, o meu filho e a minha família foram fundamentais: sem o apoio deles teria sido bem mais difícil cumprir este percurso. O sacrifício maior foi o tempo que lhes deixei de dedicar em momentos que eram importantes para eles.
Há alguma história ou episódio que nunca vai esquecer, pela emoção ou pela dificuldade que representou?
Para a história fica, sem dúvida, o meu percurso. De uma forma humilde e simples, fico para a história da nossa terra como último Presidente da Junta de Macieira da Lixa e primeiro Presidente da União de Freguesias de Macieira da Lixa e Caramos. Um facto marcante para a história de Macieira da Lixa e Caramos.
O que é que mais o orgulha ter conseguido concretizar em Macieira da Lixa e Caramos?
O orgulho maior vem de ver projetos que melhoraram a vida quotidiana das pessoas: o Parque de Lazer, intervenções em vias, apoio às coletividades e a melhoria de serviços básicos. Ver crianças, idosos e famílias a usufruírem desses espaços e serviços confirma que valeu a pena o esforço.
Ao longo destes mandatos, teve de lidar com críticas e expectativas muito diferentes. O que aprendeu sobre as pessoas e sobre a sua comunidade?
Aprendi que as pessoas querem ser ouvidas e valorizam a proximidade; que há grande generosidade e capacidade de resistência, mas também frustração quando as respostas demoram. A comunidade é diversa em expectativas, mas, quando existe diálogo e explicação clara das opções e limites, conseguimos construir consenso e agir melhor.
Depois de 16 anos de experiência autárquica, o que significa, para si, ser autarca de freguesia?
Ser autarca é um serviço público de contacto direto com a vida das pessoas. É ser gestor prudente, mediador, realizador de pequenas grandes coisas do dia a dia e, acima de tudo, um representante da comunidade que tem de ouvir, decidir com responsabilidade e trabalhar em parceria com outras instituições. É um exercício de confiança: alguém confia-nos os problemas e as esperanças da sua freguesia e isso exige humildade, trabalho e sentido de missão.